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quinta-feira, 3 de janeiro de 2019

O que é?





É qualquer ação ou omissão de natureza criminal, entre pessoas que residam no mesmo espaço doméstico ou, não residindo, sejam ex-companheiro/a, ex-namorado/a, progenitor de descendente comum, ascendente ou descendente, e que inflija sofrimentos de ordem física, sexual, psicológica ou económica.

Tipos de Violência


·         Violência Emocional:
Geralmente inclui comportamentos como: ameaçar os filhos; magoar os animais de estimação; humilhar o outro na presença de amigos, familiares ou em público, entre outros.



·         Violência Social:
Qualquer comportamento que intenta controlar a vida social do(a) companheiro(a), através de, por exemplo, impedir que este(a) visite familiares ou amigos, cortar o telefone ou controlar as chamadas e as contas telefónicas, trancar o outro em casa.



·         Violência Física:
 Pode traduzir-se em comportamentos como: esmurrar, pontapear, estrangular, queimar, induzir ou impedir que o(a) companheiro(a) obtenha medicação ou tratamentos.




·         Violência Sexual:
 Qualquer comportamento em que o(a) companheiro(a) força o outro a protagonizar atos sexuais que não deseja. Alguns exemplos: pressionar ou forçar o companheiro para ter relações sexuais quando este não quer; pressionar, forçar ou tentar que o(a) companheiro(a) mantenha relações sexuais desprotegidas; forçar o outro a ter relações com outras pessoas.



·         Violência Financeira:
 Alguns destes comportamentos podem ser: controlar o ordenado do outro; recusar dar dinheiro ao outro ou forçá-lo a justificar qualquer gasto; ameaçar retirar o apoio financeiro como forma de controlo.

·         Perseguição:
Qualquer comportamento que visa intimidar ou atemorizar o outro. Por exemplo: seguir o(a) companheiro(a) para o seu local de trabalho ou quando este(a) sai sozinho(a); controlar constantemente os movimentos do outro, quer esteja ou não em casa.



Ciclo da Violência


1. Aumento de tensão: as tensões acumuladas no quotidiano, as injúrias e as ameaças tecidas pelo agressor, criam, na vítima, uma sensação de perigo eminente.
2. Ataque violento: o agressor maltrata física e psicologicamente a vítima; estes maus-tratos tendem a escalar na sua frequência e intensidade.
3. Lua-de-mel: o agressor envolve agora a vítima de carinho e atenções, desculpando-se pelas agressões e prometendo mudar (nunca mais voltará a exercer violência).




Homens & Mulheres


AS MULHERES

A violência contra as mulheres é um fenómeno complexo e multidimensional, que atravessa classes sociais, idades e regiões.
A reação de cada mulher à sua situação de vitimação é única. Estas reações devem ser encaradas como mecanismos de sobrevivência psicológica que cada uma aciona de maneira diferente para suportar os maus tratos a que são sujeitas.
Muitas mulheres não consideram os maus-tratos, a injúria, a difamação ou a coação sexual por parte dos companheiros como crimes.
As mulheres encontram-se, na maior parte dos casos, em situações de violência de género pelo domínio e controlo que os seus agressores exercem sobre elas através de vários mecanismos, tais como: isolamento; violência física e psicológica; intimidação; domínio económico, entre outros.
A violência de género não pode ser vista como um destino que a mulher tem que aceitar passivamente. O destino sobre a sua própria vida pertence-lhe, deve ser ela a decidi-lo, sem ter que aceitar resignadamente a violência que não a realiza enquanto pessoa.

OS HOMENS

Apesar de as mulheres sofrerem maiores taxas de violência de género, os homens também são vítimas deste crime.
Os homens vítimas de violência de género experimentam comportamentos de controlo, são alvo de agressões físicas e psicológicas, bem como também estes receiam abandonar relações abusivas. O medo e a vergonha são a principal barreira para fazer um primeiro pedido de ajuda. Estes homens receiam ser desacreditados e humilhados por outros se decidirem denunciar os maus tratos.

Será uma vítima?


Existem múltiplas questões que podem ajudar a pessoa a perceber se está a ser vítima do crime de violência de género, tais como:
  • ·         Tem medo do temperamento do seu namorado/namorada?
  • ·         Tem medo da reação dele(a) numa situação de desacordo?
  • ·         Ele(a) constantemente ignora os seus sentimentos?
  • ·         Goza com as coisas que lhe diz?
  • ·         Procura fazê-lo(a) sentir-se mal em frente dos seus amigos ou de outras pessoas?
  • ·         Alguma vez ele(a) ameaçou agredi-lo(a)?
  • ·         Alguma vez ele(a) lhe bateu?
  • ·         Não pode estar com os seus amigos e com a sua família porque ele(a) tem ciúmes?
  • ·         Alguma vez foi forçado(a) a ter relações sexuais?
  • ·         É forçado(a) a justificar tudo o que faz?
  • ·         Sempre que quer sair tem que lhe pedir autorização?


Como nos pode afetar




Um crime pode afetar-nos de modo diferente e as pessoas não reagem todas da mesma forma. A maioria das pessoas após serem vítimas de um crime podem sentir-se muito confusas e vulneráveis. Reações como pânico geral, a impressão de estar a viver um pesadelo, a desorientação geral, o sentimento de solidão e o estado de choque, são reações comuns nas vítimas.
Quanto mais violento o crime, maior será o estado de afetação geral da vítima. Existem, geralmente, um conjunto de consequências de carácter psicológico, físico e social que se manifestam após a vitimação. No entanto, a vítima não é, geralmente, a única pessoa em sofrimento. As testemunhas desta vitimação podem ser também afetadas. Também os familiares e amigos da vítima, ainda que não necessariamente testemunhas do crime, podem sofrer as consequências do mesmo.

CONSEQUÊNCIAS FÍSICAS
Os efeitos físicos incluem não apenas os resultados diretos das agressões sofridas pela vítima (fraturas, hematomas, etc.), mas também respostas do nosso corpo ao stress a que foi sujeito. Alguns exemplos poderão ser:
  • ·         perda de energia;
  • ·         dores musculares;
  • ·         dores de cabeça e/ou enxaquecas;
  • ·         distúrbios ao nível da menstruação;
  • ·         problemas digestivos.


CONSEQUÊNCIAS PSICOLÓGICAS
A diversidade e intensidade dos efeitos psicológicos podem levar as pessoas a considerarem a possibilidade de estarem a ficar loucas ou a perder o seu equilíbrio psíquico. Algumas das consequências psicológicas poderão ser:
  • ·         dificuldades de concentração;
  • ·         dificuldades em dormir;
  • ·         pesadelos;
  • ·         dificuldades de memória;
  • ·         tristeza;
  • ·         desconfiança face aos outros;
  • ·         diminuição da autoconfiança.


Uma razão


PORQUE UMA VÍTIMA SE MANTÉM NUMA RELAÇÃO VIOLENTA


Existem várias razões para uma vítima se manter numa relação violenta, mesmo que estas possam parecer estranhas a quem não é vítima:
  • ·  muitas das vítimas podem não reconhecer o comportamento do/a seu/sua namorado/a ou companheiro/a como violento;
  • ·     recear ser discriminado/a se se assumir como vítima de violência doméstica ao procurar ajuda e apoio;
  • ·  ter esperança que a situação se vá resolver com o/a seu/sua parceiro/a e que ele/a mudará e deixará de ser violento/a;
  • ·      não querer deixar a casa, os seus pertences, os filhos ou animais de estimação;
  • ·      estarem dependentes económica ou financeiramente do/a agressor/a;
  • ·     sentir vergonha de que as outras pessoas saibam que é vítima de violência doméstica.


Mitos & Factos


MITOS & FACTOS



A violência de género está envolta em alguns mitos. Alguns têm servido para “desculpar” a violência e o agressor, outros para “culpabilizar” a vítima. Importa, por isso, desmistificá-los.

Mito: O consumo de drogas é que faz com que seja violento(a).
Facto: É verdade que algumas drogas podem desencadear no outro reações violentas ou comportamentos agressivos nalguns indivíduos.

Mito: A Lei não me pode ajudar e a Polícia não está interessada.
Facto: Ameaças, perseguições, agressões físicas e sexuais constituem crime. A Polícia tem obrigação de prestar assistência e proteção a qualquer pessoa que sofra de qualquer um dos vários crimes que constitui a violência doméstica.

Mito: Só as mulheres de meios sociais desfavorecidos sofrem de violência doméstica
Facto: A necessidade de apoios económicos e sociais que sentem as mulheres vítimas deste crime faz com que haja maior visibilidade sobre o problema nos meios sociais mais desfavorecidos, a violência doméstica está presente em todos os meios sociais, manifestando-se de várias maneiras.

Mito: Algumas mulheres gostam de apanhar: são masoquistas.
Facto: Acreditar que as mulheres vítimas de violência são masoquistas é ignorar que o problema é muito complexo para ser reduzido a tal conclusão.

Mito: Uma bofetada não magoa ninguém.
Facto: Normalmente, a violência doméstica não consiste numa agressão pontual, isolada, podendo ser continuada no tempo. Pode consistir em muitas agressões, físicas e psicológicas, sobre a mulher vítima.

Mito: O marido tem direito de bater na mulher quando ela se porta mal.
Facto: O marido não tem direito a maltratar a mulher quando não estiver satisfeito com algum comportamento desta. A violência não pode ser tolerada enquanto resolução de conflitos entre duas pessoas.

Mito: O marido tem direito ao corpo da mulher. Ela tem o dever de receber o marido sempre que este o desejar.
Facto: Ninguém tem o direito sobre o corpo do outro. O marido tem apenas direito ao seu próprio corpo, como todas as outras pessoas.

Mito: Há mulheres que provocam os maridos, não admira que eles se descontrolem.
Facto: A violência doméstica não pode ser atribuída a um descontrolo por parte do agressor, desculpabilizando-o pelos seus atos criminosos por causa de um suposto comportamento provocatório da mulher vítima.



Estatísticas PT/ES



Estatisticas Portugal

Para o ano de 2017, a APAV registou um total de 40.928 atendimentos, firmados em 12.086 processos de apoio, onde foi possível identificar 9.176 vítimas e 21.161 crimes e outras formas de violência.

Relativamente à caracterização das vítimas de crime apoiadas pela APAV em 2017, a maioria eram do sexo feminino (82,5%) e tinham idades compreendidas entre os 25 e os 54 anos (38,9%). O estado civil destas vítimas dividia-se sobretudo entre as vítimas casadas (28,2%) e as solteiras (23,1%) e pertenciam a um tipo de família nuclear com filhos/as (33,4%).
Da análise efetuada aos dados da APAV é possível confirmar a existência de um número superior de autores de crime, face ao número de vítimas. Posto isto, em 2017 a APAV registou um total de 9.481 autores/as de crime. Destes/as, mais de 80% eram do sexo masculino e tinham idades compreendidas entre os 35 e os 54 anos (23,3%). Cerca de 30% eram casados e possuíam uma ocupação profissional (32,1%).
 O tipo de vitimação continuada foi o mais registado em 2017, representando 75% dos casos.



Estatisticas Espanha

Durante o ano de 2017, os tribunais espanhóis contabilizaram um total de 166,620 casos de violência de género, o que representa um aumento de 16,4% em relação ao ano de 2016. O número de mulheres vítimas de violência de género foi de 158,217.
 O número de casos apresentados em 2017 torna-se o mais alto desde que estes dados são registados, superando o número de queixas apresentadas em 2008 e 2016, anos em que houve mais de 142,000 denúncias. Em relação às denúncias, em mais de 69% dos casos, estas foram feitas pela própria vítima, diretamente ao tribunal ou através de relatórios policiais.
Em 2017, a percentagem de condenações aprovadas pelos órgãos judiciais espanhóis em processos relacionados à violência de género aumentou. Em contraste com 62,6% das condenações ocorridas em 2015 e 66,2% em 2016, no ano passado a percentagem foi de 67,4%.

Estatisticas
















Numero de Apoio a Vitima

Número de apoio à vitíma- Portugal